O caso envolvendo o general Zhang Youxiao oficial militar de mais alta patente ativo no Chinacolocam a relação entre poder político, Forças armadas e o programa nuclear do país. De acordo com o Jornal americano The Wall Street Journalas autoridades chinesas acusam Zhang de vazar segredos nucleares para Estados Unidos e colocar operações sensíveis do Exército Popular de Libertação num momento de crescente disputa estratégica entre Pequim e Washingtoncombinando questões de segurança nacional, disputas internas e fortalecendo a autoridade do Partido Comunista sobre o quartel.
Quais são as acusações da China contra o seu general?
De acordo com o Jornal de Wall StreetZhang Youxia é investigado por supostamente compartilhar “dados técnicos fundamentais sobre as armas nucleares da China” com as autoridades norte-americanas. A informação estaria ligada à investigação contra Gu Jun, ex-diretor-geral da estatal CNNC, responsável pelo programa nuclear chinês, tanto civil como militar.
Até agora, Pequim não revelou o tipo exato de dados que teriam sido vazados, nem impactos concretos na capacidade nuclear da China. Ainda assim, o episódio atinge diretamente o estratégia de dissuasão de Pequim, que busca expandir e modernizar seu arsenal atômico em meio competição com os EUA e a crescente tensão no Indo-Pacífico.
Quem é Zhang Youxia e por que o seu caso é tão politicamente sensível?
Zhang ocupa o posto de vice-presidente sênior da Comissão Militar Central (CMC), o mais alto órgão de comando das Forças Armadas Chinesas, imediatamente abaixo Xi Jinping. Ele também é membro do Politburo, círculo restrito de 24 líderes que compõem o segundo nível de comando do Partido Comunista Chinês, o que amplia o alcance político da investigação.
O general foi um ator-chave nos planos de Xi para modernizar o Exército de Libertação Popular até 2027 e é visto como um aliado de longa data do líder chinês. Os seus pais, o general Zhang Zongxun e o antigo vice-primeiro-ministro Xi Zhongxun, lutaram juntos na guerra civil, alimentando a percepção de confiança mútua que torna o caso ainda mais simbólico para os observadores da política chinesa.
Quais são as principais suspeitas levantadas contra o General Zhang Youxia?
Além do suposto vazamento de segredos nucleares, Zhang está sendo investigado por aceitar subornos em troca de atos oficiais e por facilitar a ascensão de aliados, como Li Shangfu, ao topo da hierarquia. As autoridades ainda o acusam de formar “facções políticas” dentro da CMC, o que indicaria redes de influência consideradas prejudiciais à unidade do Partido e ao controlo de Xi sobre os quartéis.
De acordo com o Jornal de Wall Streetforam confiscados dispositivos de comunicação pertencentes a vários funcionários próximos de Zhang, incluindo o do General Liu Zhenli, presidente do Estado-Maior Conjunto, que também foi investigado. Para os analistas, isto sinaliza um acompanhamento extensivo das ligações políticas e financeiras associadas ao geral:
- Formação de redes de influência dentro da Comissão Militar Central;
- Abuso de poder nas decisões relativas à promoção e nomeação de cargos;
- Receber subornos de alto valor em contratos militares;
- Desempenho controverso na supervisão de P&D e aquisição de armas;
- Conexão com outras figuras investigadas, como Li Shangfu e Gu Jun.
Qual a relação entre o caso e a campanha anticorrupção?
Um editorial do jornal oficial do Exército acusou Zhang e Liu Zhenli de “enfraquecer” a autoridade de Xi Jinping na Comissão Militar Central e “prejudicando” a preparação para o combate real. A preocupação está diretamente ligada ao objetivo de, até 2027, ter condições militares para uma eventual operação em grande escala contra Taiwan, incluindo o comando firme das forças convencionais e nucleares.
Desde 2012, a campanha anticorrupção de Xi expulsou pesos pesados do alto comando, como He Weidong, o almirante Miao Hua, os ex-ministros da Defesa Wei Fenghe e Li Shangfu, e comandantes da Força de Foguetes. Segundo a embaixada chinesa em Washington, a decisão de investigar Zhang reforça a política de “cobertura total e tolerância zero” contra a corrupção nas Forças Armadas e procura garantir a disciplina num momento de rápida modernização militar.


