O pedido de prisão preventiva do empresário Fábio Luís Lula da Silvao Lulinhaapresentado a Procuradoria-Geral da República (PGR) por deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS)ampliou o alcance político e jurídico das investigações sobre descontos indevidos em Benefícios do INSS, a chamada “farra do INSS”.
Como foi o pedido de prisão preventiva de Lulinha?
No ofício enviado nesta quarta-feira (25/2) ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, Sanderson sustenta que informações coletadas na investigação apontam para um possível esquema envolvendo interesses políticos e empresariais, com supostos Participação indireta de Lulinha.
O deputado cita o artigo 312 do Código de Processo Penal para argumentar que, caso as provas se confirmem, haveria risco concreto à ordem pública e ao andamento das investigações, considerando a influência política e econômica atribuída ao empresário.
Como a PGR pode atuar neste caso?
Sanderson ressalta que o pedido tem caráter cautelar e não representa antecipação de culpa, invocando o princípio da presunção de inocência e sugerindo que o Ministério Público Federal avalie se há espaço para prisão preventiva ou medidas menos gravosas.
Entre as alternativas, o parlamentar cita diversas medidas cautelares, como monitoramento, restrições de contato e limitações de viagens, a serem eventualmente solicitadas pela PGR ao Poder Judiciário à medida que as provas evoluírem.
Como as viagens ao exterior e as medidas cautelares entram no debate?
Um dos pontos destacados no pedido é uma viagem internacional de Lulinha no período em que surgiram as primeiras denúncias sobre a “farra do INSS”, fato que, na visão do deputado, pode indicar risco de fuga ou tentativa de frustração da aplicação da lei penal.
Neste contexto, Sanderson sugere que, além de uma possível prisão preventiva, sejam examinadas medidas cautelares alternativas, como restrições à saída do país, reforçando o controle sobre reuniões, atividades comerciais e circulação internacional.
Quais são as acusações e o que dizem as defesas?
Embora o pedido mencione colaborações premiadas de ex-diretores do INSS, informações preliminares indicam que não há, até o momento, nenhum acordo de confissão formal ratificado, o que levanta dúvidas sobre a extensão e a formalidade das supostas declarações.
O Defesa de Lulinha nega qualquer vínculo com investigados e fraude no INSS, afirma desconhecer os supostos denunciantes e questiona a existência e o conteúdo das colaborações, lembrando que as negociações de acordo são confidenciais por lei. Veja a publicação recente do deputado:
Aprovamos o PL ANTIFAÇÃO, mesmo com resistência da esquerda do governo na Câmara. Agora, os presos não poderão votar, as penas para membros de gangues podem chegar a 40 anos e benefícios como o auxílio-prisão serão proibidos. Parabéns pelo trabalho amigo @DerriteSP e vamos em frente!
-Sanderson (@DepSanderson) 25 de fevereiro de 2026
Quais poderiam ser os próximos passos no caso?
Com o pedido protocolado, caberá à PGR avaliar o material apresentado por Ubiratan Sanderson, decidir se solicita a prisão preventiva de Lulinha, se propõe medidas cautelares alternativas ou se entende que há, por enquanto, elementos suficientes para restrições.
Especialistas em direito penal apontam critérios recorrentes que tendem a orientar a análise do Ministério Público e do Judiciário em casos de grande repercussão como este:
- Gravidade dos fatos investigados e abrangência social dos danos aos aposentados e pensionistas;
- Risco de interferência na recolha de provas, destruição de provas ou coação de testemunhas;
- Possibilidade de fugautilização de viagens ao exterior e possível ocultação de bens;
- Suficiência de medidas alternativas detenções preventivas, como tornozeleiras, proibições de contato e restrições de saída do país;
- Consistência e formalidade das declaraçõesincluindo eventual homologação judicial e elementos comprobatórios.


