Você promete ir dormir mais cedo, largar o celular, apagar a luz. E ainda assim, uma hora depois, você está navegando pelo seu feed no escuro, sem conseguir parar. Não é fraqueza de vontade e provavelmente também não é vício em telas. Para a psicanálise, esse comportamento é uma forma silenciosa de resistêncialigado ao desejo de controle, à sensação de que o dia inteiro pertencia aos outros e não a você.
Por que a rotina noturna parece tão difícil de seguir?
Durante o dia, a maior parte das nossas ações são orientadas por compromissos, horários e responsabilidades. Trabalho, estudos, tarefas domésticas e demandas externas ocupam grande parte da energia mental disponível. Quando chega a noite, há a sensação de que o dia não nos pertenceu totalmente.
O que a psicanálise pode dizer sobre essa sabotagem?
Na teoria psicanalítica, existe a ideia de que nem todos os nossos comportamentos são guiados pela busca do prazer imediato ou do bem-estar. Às vezes, repetimos hábitos que sabemos serem prejudiciais, embora compreendamos as suas consequências.
Veja abaixo um vídeo do canal Gabriela Affonso no YouTube, que explica os mecanismos de autossabotagem na perspectiva da Psicanálise:
Como a “pulsão de morte” entra nesta história?
O conceito de pulsão de morteproposta por Freud, é muitas vezes mal interpretada. Não se refere necessariamente a um desejo de autodestruição consciente, mas a uma tendência a repetir comportamentos que nem sempre favorecem o nosso desenvolvimento ou bem-estar.
Abaixo listamos os principais indicadores que podem indicar a presença de procrastinação noturna, ajudando a identificar comportamentos que impactam na qualidade do descanso e na rotina diária:
Por que sentimos que “merecemos” esse tempo extra?
Muitas pessoas relatam uma sensação de recompensa prolongando a noite. Depois de um dia cheio de obrigações, aquele tempo diante do celular ou da televisão parece representar um espaço de liberdade pessoal. O problema é que esta busca por compensação pode criar um ciclo em que o descanso é constantemente sacrificado para recuperar um sentimento momentâneo de autonomia.


