A crise interna no Partido Liberal (PL) ganhou dimensão pública após a divulgação de vídeos em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs divergências políticas com o senador Flávio Bolsonaro. O principal ponto de atrito teria sido a disputa pelo controle e pelos rumos do partido no Ceará, considerado estratégico para os planos eleitorais da direita.
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro fez um pedido público de desculpas. Mesmo assim, a crise resultou na saída formal de Michelle do comando do PL Mulher. Na carta de demissão, a ex-primeira-dama afirmou que a decisão foi motivada pela necessidade de se dedicar integralmente ao cuidado da família.
Nos bastidores, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, teria afirmado que Michelle ficou “queimada” politicamente após expor publicamente o conflito familiar e partidário, ampliando a crise interna no PL. E agiu para tentar conter o desgaste político e evitar que Michelle se afastasse ainda mais do partido. Segundo informações, Valdemar procurou convencê-la a reconsiderar tanto sua saída do cargo quanto uma possível desistência de concorrer ao Senado.
Como gesto de apoio e reconhecimento do peso político de Michelle, a dirigente decidiu eliminar o cargo de presidente nacional do PL Mulher. Publicamente, Valdemar afirmou que, neste momento, não há outro nome com a mesma projeção política e popularidade para assumir o cargo.


