Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai. A medida foi tomada após o parlamentar publicar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente durante o período de prisão domiciliar.
Na decisão, Moraes afirmou que Flávio aproveitou a visita para obter um documento destinado à divulgação pública, o que, segundo o ministro, constituiu descumprimento da medida cautelar que proíbe Jair Bolsonaro de usar as redes sociais, direta ou indiretamente.
A reação de integrantes da oposição incluiu comparações com a situação vivida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, quando esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Na ocasião, uma carta escrita por Lula foi lida publicamente durante um evento político para anunciar apoio à candidatura presidencial de Fernando Haddad (PT).
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, classificou a decisão de Moraes como “autoritária” e “desproporcional”. Em nota publicada nas redes sociais, afirmou que a medida representa “uma clara interferência no jogo político” e busca deixar o ex-presidente “incomunicável”.
O blogueiro Paulo Figueiredo também criticou a decisão, afirmando, em postagem na rede social X, que o objetivo seria enfraquecer o movimento bolsonarista.
O vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) compartilhou relatos sobre o caso e relembrou a publicação da carta de Lula em 2018. Segundo ele, o episódio demonstra tratamento diferenciado entre as duas situações.
O senador Sergio Moro (União Brasil-PR), ex-juiz da Operação Lava Jato, também comentou o assunto. Em postagem nas redes sociais, afirmou que Lula recebeu centenas de visitas enquanto esteve preso e declarou que nunca cogitou restringir seu direito de receber familiares ou manter correspondência.
A deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) também se pronunciou, defendendo o respeito às garantias fundamentais e questionando os limites da interferência das decisões judiciais nas relações familiares.
A decisão de Alexandre de Moraes foi motivada por uma transmissão ao vivo realizada por Flávio Bolsonaro no último sábado, na qual o senador leu uma carta escrita pelo ex-presidente. No texto, Jair Bolsonaro pede apoio à candidatura presidencial do filho e o apresenta como seu “porta-voz” e “a melhor opção para livrar o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”.
Para o ministro do STF, a divulgação da mensagem por meio de Flávio Bolsonaro constituiu descumprimento da proibição imposta ao ex-presidente de utilizar as redes sociais, direta ou indiretamente, motivo da suspensão de visitas e demais determinações relacionadas ao caso.


