terça-feira, julho 14, 2026
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Michelle Bolsonaro colocou “combustível no fogo” na carta

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifestou preocupação com as consequências da carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Segundo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada próxima de Michelle, a ex-primeira-dama ficou apreensiva após a repercussão do documento e teme que o descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente possa resultar na revogação da prisão domiciliar.

“Desde que vimos alguns comentários na internet, ela ficou angustiada. Ela tem feito o possível para que todas as medidas sejam cumpridas”, disse Damares em entrevista ao jornal O Globo.

A preocupação surgiu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai. A medida foi adotada após o senador divulgar, em transmissão ao vivo, carta escrita pelo ex-presidente durante seu período de prisão domiciliar.

Na avaliação de Moraes, a divulgação do documento pode ter violado a medida cautelar que proíbe Jair Bolsonaro de usar as redes sociais, direta ou indiretamente, por meio de terceiros.

Segundo Damares, Michelle teme que o episódio possa levar à revogação da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente.

“Ela lutou por essa residência, porque sabe que ele não pode ficar preso por causa do estado de saúde. Ela teme que ele retorne caso alguma medida não seja cumprida.

A decisão do ministro também impacta a campanha pré-presidencial de Flávio Bolsonaro, pois impede qualquer contato entre pai e filho durante os 90 dias de suspensão de visitas, período que se estende até o final do primeiro turno das eleições.

O episódio ocorre em meio a um momento de tensão dentro do próprio grupo político de Bolsonaro. Em junho, Michelle Bolsonaro publicou vídeos nas redes sociais nos quais afirmava ter sido “maltratada” e “desrespeitada” por Flávio Bolsonaro, destacando divergências internas sobre a conduta do campo político ligado ao ex-presidente.

Na carta divulgada pelo senador, Jair Bolsonaro reafirma seu apoio à pré-candidatura do filho e pede que aliados se unam em torno de seu nome para a disputa presidencial.

Além de suspender as visitas, Alexandre de Moraes determinou que a defesa do ex-presidente esclarecesse, no prazo de 48 horas, se Jair Bolsonaro tinha conhecimento prévio de que a carta seria publicada nas redes sociais. O ministro também encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apurar qualquer prática de propaganda eleitoral antecipada.

Em nota, o coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou a decisão do STF. Ele classificou a medida como “autoritária” e “desproporcional”, afirmando que busca tornar Jair Bolsonaro “incomunicável” e representa “interferência no jogo político”.

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