O Irã disse neste domingo (26) que suspenderá seus ataques enquanto os Estados Unidos mantiverem a recente pausa nos bombardeios contra o país. A afirmação foi dada por um responsável iraniano à agência Reuters, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter interrompido a campanha militar que já durava cerca de duas semanas.
Os Estados Unidos suspenderam os ataques aéreos na noite desta sexta-feira (24), após 13 noites de ofensiva. Desde então, não houve novos bombardeamentos dos EUA contra o Irão, nem novos ataques iranianos contra países vizinhos que acolhem bases militares dos EUA.
Segundo o responsável iraniano, Teerão mantém a posição de responder a qualquer agressão. “A posição do Irão continua a ser ‘ataque por ataque’: se os ataques cessarem, o Irão também suspenderá as suas operações. Esta mensagem já foi transmitida aos Estados Unidos”, disse a fonte, falando sob condição de anonimato.
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, afirmou que Trump decidiu suspender temporariamente a ofensiva para ampliar o espaço para negociações diplomáticas.
“Ele está dando espaço para negociações”, disse Waltz em entrevista à Fox News, sem detalhar os próximos passos.
A imprensa norte-americana noticiou que a decisão ocorreu após recomendações de membros das áreas militar e política do governo, que alertaram para os riscos de uma escalada ainda maior do conflito. Entre as preocupações estariam a redução dos estoques de mísseis de defesa aérea Patriot e os limites à eficácia da campanha de bombardeio.
Apesar da suspensão, as autoridades iranianas manifestaram cautela e afirmaram não acreditar que a medida representasse uma mudança definitiva na postura dos Estados Unidos.
“Há mais ceticismo do que otimismo em relação à suspensão dos ataques. A opinião predominante é que a pausa é mais tática do que genuína”, disse a fonte iraniana.
Pressão militar e impacto internacional
Nas últimas semanas, os Estados Unidos afirmaram que os ataques foram uma resposta às ações iranianas contra o transporte marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. O Irão, por sua vez, declarou que procurava manter o controlo estratégico da região.
A escalada militar também afetou o mercado energético. A possibilidade de novos bloqueios no transporte de petróleo fez com que o preço do barril de Brent ultrapassasse os 100 dólares pela primeira vez desde maio.
Além disso, os aliados do Irão, como os Houthis do Iémen, anunciaram medidas contra os interesses petrolíferos sauditas no Mar Vermelho, levantando preocupações sobre futuros impactos no comércio global.
Entretanto, os residentes do Irão relatam incerteza sobre a duração da trégua. Em Teerã, um empresário entrevistado pela Reuters afirmou que a população continua apreensiva com a possibilidade de retomada dos combates.
A pausa nos ataques ocorre num momento decisivo do conflito, com ambos os lados avaliando os limites da escalada militar e a possibilidade de retomar as negociações diplomáticas.


