AJX Capital Investimentos SA é investigada por suspeita de operar esquema de pirâmide financeira que teria causado prejuízos estimados em R$ 350 milhões sobre 10 mil investidores. Entre os clientes que afirmam ter sido prejudicados estão pelo menos nove moradores do Distrito Federal.
Segundo relatos de investidores, a empresa havia parado de pagar rendimentos e bloqueado pedidos de resgate nos últimos meses, desencadeando uma onda de reclamações e denúncias.
A empresa, com sede em Barueri (SP), é alvo de investigações da Ministério Público de São Paulo (MPSP) e de Polícia Civil de São Pauloque investigam suspeitas de crimes como organização criminosa, peculato qualificado, crimes contra a economia popular, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Segundo o advogado Jorge Calazans, que representa os investidores lesados, há sinais de que o modelo financeiro da empresa se tornou inviável. Ele afirma defender nove clientes do Distrito Federal e outros 278 investidores, com perdas estimadas em aproximadamente R$ 35 milhões apenas entre os representados.
“Com as contas da empresa zeradas nas buscas judiciais e o apoio negado pelo Banco do Brasil, entramos em contato com a Vara Criminal solicitando o congelamento urgente dos bens dos envolvidos antes que os bens sejam totalmente dissipados”, afirmou o advogado.
Promessas de altos rendimentos
Segundo as denúncias, a AJX Capital atraiu investidores com promessa de retornos considerados elevados, chegando a 24% ao ano ou sobre 2% a 2,7% ao mêsprincipalmente entre pessoas com perfil mais conservador.
Para apresentar uma aparência de regularidade, a empresa utilizaria Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) como parte da operação.
A empresa alegou ainda ter um capital social superior R$ 342 milhõessupostamente garantida por ações físicas do primeiro Banco do Estado de Santa Catarina (BESC)incorporada pelo Banco do Brasil em 2008.
Porém, segundo investidores e seus representantes, o Banco do Brasil teria informado que esses documentos não possuem valor comercial ou liquidez, sendo considerados apenas registros históricos sem validade como garantia financeira.
Bloquear solicitações
O Ministério Público e os advogados das vítimas solicitaram medidas legais como quebra de sigilo, busca e apreensão e congelamento de bens dos administradores da empresa e dos potencialmente envolvidos.
As medidas visam evitar a possível transferência ou ocultação de bens durante o andamento das investigações.
A reportagem afirma que tentou contato com a AJX Capital para obter esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações de empresas.


