O aumento do nível do mar Deixou de ser apenas uma projeção científica distante e passou a fazer parte do quotidiano de muitas regiões costeiras, afetando diretamente as cidades costeiras, os ecossistemas marinhos e as atividades económicas que dependem do mar, num contexto de aquecimento global e de maior frequência de eventos extremos.
O que causa o aumento do nível do mar?
A principal causa desse avanço das águas está ligada ao aquecimento do planeta, provocado pelo excesso de gases de efeito estufa na atmosfera. O intensificado efeito estufa aumenta as temperaturas médias, derrete geleiras e calotas polares e causa expansão térmica da água dos oceanos.
A combinação do derretimento do gelo continental e da expansão da água à medida que aquece explica por que o nível do mar continua a subir, embora haja variações regionais. As projeções indicam que, se as emissões permanecerem elevadas, este aumento persistirá por muitas décadas.
Quais regiões e cidades brasileiras são mais vulneráveis?
A elevação do nível do mar poderá afetar diversas cidades brasileiras, especialmente aquelas localizadas em regiões costeiras e áreas baixas. Estudos de NASA destacar capitais, ilhas habitadas, deltas de rios e áreas estuarinas como pontos críticos de vulnerabilidade. Veja abaixo as regiões mais vulneráveis:
- Rio de Janeiro: Ilha do Governador, partes da Baixada Fluminense e trechos de municípios vizinhos próximos à Baía de Guanabara.
- Para: ilha de Marajó e partes de Belém, especialmente áreas ribeirinhas e manguezais, sujeitas à intrusão salina.
- Amapá: Reserva Biológica do Lago Piratuba e a cidade de Oiapoque, ameaçada pela erosão e pelo avanço do mar.
- Maranhão: Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, com dunas e lagoas sensíveis à elevação do mar.
- Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Pelotas e áreas ao redor da Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim, expostas a inundações.
Quais os principais impactos nas cidades costeiras?
As cidades costeiras estão entre as mais sensíveis à subida do nível do mar, especialmente os bairros em zonas baixas ou com aterros. Com o mar mais alto, as ondas e as marés invadem com mais facilidade calçadões, avenidas à beira-mar, áreas portuárias e sistemas de drenagem urbana.
Entre os impactos mais comuns estão a erosão costeira, as inundações recorrentes nas marés vivas, a intrusão salina em rios e aquíferos, a pressão sobre as habitações em áreas de risco e os efeitos na saúde pública, como problemas de saneamento e a proliferação de vetores.
Que medidas ajudam a mitigar os efeitos do avanço do mar?
As estratégias para enfrentar o aumento do mar combinam a redução das emissões globais e ações de adaptação local. A nível internacional, é essencial expandir as energias renováveis, melhorar a eficiência energética e incentivar transportes menos poluentes. A lista a seguir apresenta maneiras de mitigar os efeitos:
- Preservar e recuperar manguezais, recifes e restingas como barreiras naturais.
- Rever planos diretores para evitar novas ocupações em áreas de risco.
- Construir ou reforçar diques, quebra-mares e comportas, quando viável.
- Criar zonas tampão com parques costeiros e áreas verdes.
- Implementar sistemas de alerta precoce para marés altas e eventos extremos.
Como podem as comunidades costeiras preparar-se?
A preparação depende não só de obras, mas também de organização social, informação confiável e participação comunitária. Comunidades bem informadas respondem melhor aos alertas de risco e exigem políticas adequadas dos gestores públicos.
Mapeamento de áreas vulneráveis, planos de emergência comunitários, formação de lideranças, educação ambiental e monitoramento participativo de tempestades e enchentes são iniciativas que fortalecem a resiliência local e tornam as respostas mais justas e alinhadas com a realidade dos pescadores, trabalhadores do turismo e ribeirinhos.


