O movimento ao redor Joias sauditas recebido pelo ex-presidente JairBolsonaro ganhou um novo capítulo com o pedido de Receita Federal para assumir a custódia dos itens e avançar no processo de perda definitiva de ativosque ainda depende da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Como fica o pedido de guarda das joias da Receita Federal ao STF?
A Receita Federal solicitou nesta terça-feira (24/2) ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito do STF, a transferência formal de custódia de joias para facilitar o processo administrativo de perda de mercadorias, sem retirada física dos itens na Caixa Econômica Federal, em Brasília.
Bolsonaro e outros 11 investigados foram indiciados em julho de 2024 por suspeita de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, enquanto o ex-presidente nega irregularidades e o caso continua ligado à investigação sobre uso de presentes oficiais no mandato.
Como será o caso contra Bolsonaro?
A caducidade é o mecanismo jurídico que incorpora ao patrimônio público bens vinculados a práticas ilícitas ou que, por natureza, pertençam ao Estado, como as doações recebidas em razão do cargo, consolidando definitivamente sua transferência para a União.
O caso está parado no STF desde junho de 2024, aguardando resposta da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pode registrar denúncia, solicitar arquivamento ou solicitar novas diligências, influenciando o ritmo e o desfecho do destino das peças.
Como as joias sauditas se tornaram alvo de investigação federal?
As joias e outros brindes oficiais chegaram ao Brasil pelo Aeroporto de Guarulhos em 2021 com a comitiva presidencial, parte deles retida pela Receita Federal e outra parte, segundo investigações, entrando sem registro formal na alfândega.
Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, de março de 2023, detalhou tentativas de uso e venda deles fora dos parâmetros oficiais, enquanto a PF apurou que o então ajudante de campo Mauro Cid vendia relógios de luxo nos EUA e tentava negociar esculturas recebidas no Bahrein.
Quais as principais joias e presentes de luxo vinculados ao case?
O conjunto mais valioso é atribuído à marca Chopard, com peças em ouro rosa e ouro branco, além de relógios de grife; Segundo a PF, parte dos itens foi levada secretamente aos Estados Unidos, no dia 30 de dezembro de 2022, em avião presidencial, para avaliação e possível venda.
Estes activos, que se encontram actualmente à guarda da Caixa após determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) em abril de 2023, incluem joias, relógios e outros objetos de alto valor, remontados após recompra por Mauro Cid e pelo advogado Frederick Wassef, segundo as investigações:
- Uma masbaha Chopard em ouro rosa;
- Um relógio com pulseira de couro Chopard;
- Um par de abotoaduras Chopard;
- Uma caneta Chopard em ouro rosa;
- Um anel de metal Chopard;
- Uma caixa com um cavalo em miniatura sobre um pedestal, com danos;
- Um relógio Hublot com fundo preto e pulseira azul;
- Um relógio Rolex;
- Um anel metálico;
- Outra caneta Chopard;
- Uma masbaha prateada em ouro branco com acabamento em ródio;
- Duas abotoaduras em ouro branco 18 quilates com acabamento em ródio;
- Anel em ouro branco 750 com acabamento em ródio;
- Um relógio Chopard L’Heure Du Diamant médio oval;
- Um par de brincos de prata;
- Um colar de prata com gemas incolores lapidadas.
Quais são os próximos passos possíveis?
O pedido de custódia não encerra a investigação, mas redefine o cenário para o futuro dos bens, uma vez que, caso o confisco seja autorizado e consumado, as peças passarão definitivamente a fazer parte do patrimônio da União, deixando de ser consideradas bens privados.
Especialistas apontam que o desfecho depende das decisões da PGR e do STF, o que poderá levar à instauração de processo criminal, à definição de eventuais responsabilidades e à conclusão do processo administrativo de incorporação dos bens à arrecadação pública federal.


