A disputa bilionária envolvendo Discovery e Netflix pode haver novos capítulos nos próximos dias. O grupo responsável pela HBO, CNN e pelo estúdio Warner Bros.. avalia reabrir conversas com Paramount Skydanceque continua interessado na aquisição e pode colocar em risco o acordo atualmente em discussão.
Como estão as negociações entre Warner, Netflix e Paramount?
A descoberta da negociação da Warner Bros. com Netflixanunciada no final de 2024, prevê a compra dos estúdios de TV e cinema e da divisão de streaming por cerca de US$ 82,7 bilhões. A oferta, entre 28 e 30 dólares por ação, é maioritariamente em dinheiro e inclui uma multa de 5 mil milhões de dólares se o negócio for bloqueado pelos reguladores.
Esse pacote inicial superou propostas de grupos como Paramount e Comcast, interessados apenas em partes da empresa. O desenho financeiro, o perfil da dívida e a capacidade de aprovação regulatória são atualmente os principais critérios na avaliação do Warner Board.
Por que a nova oferta da Paramount pressiona o acordo com a Netflix?
O Paramount Skydance voltou à mesa com uma proposta redesenhada, assumindo uma postura claramente mais agressiva. A empresa estava disposta a pagar a multa de US$ 2,8 bilhões devida à Netflix caso o negócio fosse desfeito, além de oferecer refinanciamento da dívida da Warner e remuneração adicional aos acionistas.
Em carta enviada à Warner, a Paramount também questionou a transparência do processo de vendas, alegando abandono do modelo de licitação. Para os investidores, isto acrescenta riscos legais e de reputação ao impasse, forçando o conselho a justificar rigorosamente qualquer decisão.
Quais os principais diferenciais da proposta da Paramount Skydance?
O pacote da Paramount combina dinheiro novo, gestão de passivos e sinalização de confiança regulatória. Antes de decidir, o conselho da Warner precisa avaliar se essa estrutura oferece mais segurança de execução do que o acordo já assinado com a Netflix.
Nesse contexto, destacam-se alguns pontos centrais da oferta da Paramount ao mercado e aos acionistas minoritários:
- Cobertura fina: compromisso de pagar a multa de US$ 2,8 bilhões à Netflix se o acordo atual for desfeito.
- Refinanciamento de dívidas: proposta para prorrogar prazos e reduzir o risco financeiro da Warner após anos de fusões.
- Remuneração aos acionistas: garantia de proteção caso a transação não seja concluída até 31 de dezembro de 2026.
- Aposta regulatória: indicação de que a Paramount vê uma chance melhor de aprovação antitruste do que a Netflix.
Como a venda da Warner poderia mudar o mercado global de streaming?
O eventual controle da Warner Bros. Discovery pela Netflix seria uma das maiores operações já vistas no entretenimento. A plataforma abrigaria um catálogo histórico de filmes e séries, incluindo franquias como Harry Potter e O Senhor dos Anéis, além de uma das estruturas de produção mais tradicionais de Hollywood.
Uma vitória da Paramount, porém, reorganizaria o conselho de forma diferente, fortalecendo um conglomerado com forte presença em TV aberta, TV paga, cinema e streaming. Em ambos os cenários, a corrida por escala, conteúdo exclusivo e poder de negociação com anunciantes e distribuidores tende a se intensificar até 2026.
Quais são os próximos passos do conselho da Warner Bros.? Descoberta?
Os próximos movimentos dependem principalmente da posição oficial do Conselho de Administração da Warner Bros. Descoberta. Caso opte por não avaliar a nova proposta da Paramount, o grupo terá que demonstrar que o acordo com a Netflix continua a ser, objetivamente, o mais vantajoso e seguro.
Caso decida reabrir a disputa, a Warner terá que notificar primeiro a Netflix, que terá o direito de cobrir uma possível oferta maior. Ao mesmo tempo, é possível que a própria Netflix melhore as condições financeiras ou regulatórias para preservar o negócio e evitar uma reviravolta de última hora.


