O recém-apresentado Projeto de Lei 78/25 introduz a ideia de que as penalidades pecuniárias para infrações de trânsito são estabelecidas proporcionalmente ao valor de mercado do veículo envolvido. A iniciativa parlamentar visa estabelecer uma justiça fiscal mais eficaz e aumentar a sensibilização, aplicando sanções mais severas aos proprietários de veículos de gama alta e importados.
Como seria aplicado o novo método de cálculo de infrações?
A proposta, da autoria do deputado Kiko Celeguim, visa substituir o atual sistema de valores fixos por um modelo progressista. Atualmente, uma infração de natureza gravíssima tem o mesmo custo para qualquer condutor, independentemente da sua capacidade econômica ou do automóvel que conduz, o que gera distorções na natureza punitiva.
Com a mudança, o valor da multa seria determinado com base no valor de mercado do veículo envolvido na infração. O objetivo é criar um verdadeiro efeito dissuasor, garantindo que a punição financeira impacte igualmente o orçamento de todos os motoristas, evitando que a multa se torne irrelevante para quem possui automóveis de luxo de alto padrão.
Que tipos de veículos sofreriam o maior impacto financeiro?
A lógica do projeto atinge diretamente os proprietários de automóveis de alto valor de mercado. Enquanto os proprietários de carros populares teriam as multas reduzidas ou mantidas nos níveis atuais, os condutores de veículos premium enfrentariam um aumento substancial no custo das infrações, visando garantir a desejada proporcionalidade.
Os modelos que sofreriam os maiores reajustes incluem:
A nova legislação já está em vigor no país?
Não, a proposta ainda não produz efeitos jurídicos e segue os procedimentos legislativos habituais. O Projeto de Lei 78/25 Atualmente está em fase de análise nas comissões da Câmara dos Deputados, onde passará por avaliações técnicas essenciais para sua validação jurídica e econômica.
As comissões de Estradas e Transportes e de Finanças e Tributação são responsáveis por examinar a viabilidade da medida. Somente após aprovação nessas instâncias, o texto seguirá para deliberação no Senado Federal e, posteriormente, para sanção presidencial, garantindo que não haja inconstitucionalidades antes de sua aplicação prática nas estradas.
Qual a diferença prática nos valores cobrados?
Para esclarecer a disparidade que a nova lei pretende corrigir, é possível comparar como uma mesma infração teria peso diferente dependendo do carro. A ideia central é que a multa deixe de ser um valor simbólico para motoristas abastados e passe a ser proporcional aos bens em circulação nas estradas.
Veja na tabela abaixo uma simulação comparativa do impacto financeiro sugerido:
📊 Simulação comparativa do impacto financeiro sugerido
Entenda como a equidade social influencia a punição financeira dependendo do valor do veículo
Tipo de veículo
Valor de mercado
Impacto da multa
carro popular
R$ 40 mil a R$ 70 mil
Valor reduzido ou mantido na base atual
carro de luxo
R$ 200 mil ou mais
Aumento proporcional (ex. acima de R$ 700)
Objetivo
Equidade social
Punição financeira sentida igualmente por todos
⚖️
Este modelo de multas progressivas visa garantir que o caráter educativo da sanção não seja anulado pelo elevado poder aquisitivo do infrator, promovendo maior justiça no trânsito.
O que você espera alcançar com essa mudança no tráfego?
A expectativa dos legisladores é que a proporcionalidade traga benefícios educacionais imediatos para a comunidade. Ao sofrerem um impacto financeiro relevante, os condutores de todas as classes económicas tenderiam a adotar comportamentos mais prudentes e respeitosos ao volante, reduzindo o sentimento de impunidade.
Além da questão da arrecadação, o foco principal é a redução de acidentes e infrações graves. O sistema busca transformar a multa em um instrumento eficaz de correção de condutas, promovendo um trânsito mais seguro e democrático, onde o poder econômico não sirva de salvo-conduto para o desrespeito às regras de trânsito.


