A expansão da mobilidade elétrica vem acompanhada de um problema pouco discutido fora dos meios especializados: a roubo de cabos de carregamento em estações públicas e privadas. Este crime, antes ligado às ferrovias e às indústrias, tornou-se agora comum nas grandes cidades de vários continentes, impactando a segurança, a confiança na cobrança pública e a expansão da infraestrutura.
Qual é o tamanho do roubo de cabos de carregamento em todo o mundo?
O roubo de cabos de carregamento de veículos elétricos tornou-se um problema internacional, com números que preocupam empresas, seguradoras e autoridades públicas. Em Alemanhagrandes operadoras relatam centenas de casos por ano, com custos elevados para substituição de cabos, reparo de equipamentos e testes de segurança obrigatórios.
Em Portugalentre abril e setembro de 2025, 327 postagens foram afetados, com 720 cabos roubadosque representa 10,3% da rede de carregamento rápido e ultrarrápido. Nos Estados Unidos, as redes em rodovias e grandes centros comerciais também registram crescimento, com estados como Califórnia, Texas e Oregon concentrando a maior parte dos incidentes.
Por que os cabos de carregamento se tornaram alvo dos criminosos?
Os cabos de carregamento seguem a mesma lógica do roubo de fios de iluminação pública e instalações ferroviárias, devido ao valor do cobre e à facilidade de revenda como sucata. Em muitos casos, os cabos são cortados nas primeiras horas da manhã, removidos em poucos minutos e entram rapidamente nos canais informais de reciclagem de metal.
Esse cenário se soma a outros crimes ligados ao setor automotivo, como roubo de catalisadores, rodas de liga leve e acessórios externos de maior valor agregado. Em comum é a busca por componentes com boa liquidez no mercado paralelo, facilmente desmontados, revendidos ou fundidos para extração de materiais.
Que estratégias reduzem o roubo de cabos de carregamento?
Para reduzir o roubo de cabos, as empresas de mobilidade combinam medidas físicas, tecnológicas e operacionais, reforçando a visibilidade e o monitoramento das estações. Iluminação intensa, câmeras de alta resolução, integração com centrais de vigilância e sinalização de alerta ajudam a inibir crimes de oportunidade em áreas urbanas e rodoviárias.
Outra frente é o desenvolvimento de cabos mais resistentes, com blindagem reforçada, estruturas internas anticorte, sistemas especiais de fixação e alarmes integrados. Rastreamento, marcação química e tecnologias de nanotecnologiaADN”exclusivo, conforme adotado por Enel Cearáfacilitam a identificação de material e o combate a quadrilhas especializadas, apoiando a ação policial.
Que medidas práticas podem ser tomadas nas estações de carregamento?
Operadoras e gestores públicos têm aplicado um conjunto de ações práticas para tornar os postos menos atrativos para roubos. Estas medidas vão desde adaptações de infraestruturas até alterações de rotina no funcionamento diário dos pontos de carregamento.
Abaixo estão algumas das principais medidas adotadas para aumentar a segurança das estações:
- Medições físicas: barreiras baixas em torno de pedestais, parafusos de segurança, travas internas e estruturas metálicas de proteção.
- Medições eletrônicas: sensores de violação, alarmes sonoros, geofencing, monitoramento de software e câmeras conectadas às centrais.
- Medidas de gestão: protocolos de resposta rápida, contato direto com forças de segurança e priorização de reparos em postos movimentados.
Como é que a legislação e os impactos económicos influenciam a mobilidade elétrica?
Diferentes países estão a discutir o reconhecimento dos cabos de carregamento como parte de infraestruturas públicas essenciais, permitindo sanções mais severas e processos judiciais específicos. Ao mesmo tempo, regras mais rígidas para o comércio de sucata, com rastreabilidade dos lotes de cobre, buscam dificultar a revenda de materiais roubados e apoiar fiscalizações em depósitos de reciclagem.
Os roubos afetam diretamente a disponibilidade da rede de recarga e aumentam os custos com substituição de cabos, inspeções técnicas, seguros e perda de receita por postos inativos. Em regiões com infraestruturas limitadas, a indisponibilidade temporária de alguns carregadores pode comprometer percursos inteiros e aumentar a perceção de incerteza sobre a mobilidade elétrica.


